William Shakespeare
— Devemos aceitar o que é impossível deixar de
acontecer.
— Até mesmo a bondade, se em demasia, morre do
próprio excesso.
— O cansaço ronca em cima de uma pedra, enquanto a
indolência acha duro o melhor travesseiro.
— Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos
ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando
enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho,
fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns
de padre.
— Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se,
se não tiver o mundo como mestre. A experiência se
adquire na prática.
— Se o ano todo fosse de feriados, o lazer, como o trabalho,
entediaria.
— Ventre grande é sinal de espírito oco; quando
a gordura é muita, o senso é pouco.
— Que é o homem, se sua máxima
ocupação e o bem maior não passam de comer e
dormir?
— Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a
ser escolhido entre dez mil.
— Hóspede oferecido (...) só é bem-vindo
quando se despede.
— Um homem inteligente pode transformar-se num
joão-bobo, quando não sabe valer-se de seus recursos
naturais.
— Quem não sabe mandar deve aprender a ser
mandado.
— A mulher que não sabe pôr a culpa no marido
por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho,
na certeza de criar um palerma.
— As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os
indivíduos baixos.
— Ninguém pode calcular a potência venenosa de
uma palavra má num peito amante.
— Sábio é o pai que conhece seu próprio
filho.
— Tem ventura fugaz, sempre periga, quem se fia em rapaz ou
rapariga.
— Ser ou não ser... eis a questão.
— É estranho que, sem ser forçado, saia
alguém em busca de trabalho.
—As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto
perdem.
— O bom vinho é um camarada bondoso e de
confiança, quando tomado com sabedoria.
— Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade
e o zelo ditam.
William Shakespeare (1564-1616), o mais famoso
dramaturgo e poeta inglês de todos os tempos, compôs
suas peças durante o reinado de Elizabeth I (1558-1603) e de
James I, que a sucedeu. Casou-se em 1582 com Anne Hathaway,
que tinha 26 anos e estava grávida. O casal teve uma filha,
Susanna, e dois anos depois tiveram os gêmeos Hamnet e
Judith. Por volta do ano de 1588, mudou-se para Londres e, em 1592,
já fazia sucesso como ator e dramaturgo. Mas, eram suas
poesias — e não suas peças — que eram
aclamadas pelo público. Em virtude da peste, os teatros
permaneceram fechados entre 1592 e 1594, impossibilitando seu
contato com o público. Publicou dois poemas, "Vênus e
Adônis", em 1593, e "O Rapto de Lucrécia", em 1594.
Estes dois poemas e seus "Sonetos" (1609), que tornaram-se famosos
por explorar todos os aspectos do amor, trouxeram-lhe
reconhecimento como poeta. Escreveu mais de 38 peças, que
estão divididas entre comédias, tragédias e
peças históricas. Seus escritos são famosos
até os dias de hoje, e suas atuações
trouxeram-lhe riqueza (ele era sócio da companhia de
teatro). Shakespeare não publicava
suas peças, já que a dramaturgia não era bem
paga. Na época, não havia direitos autorais. O autor
pretendia que suas peças fossem representadas em vez de
publicadas.
Com o dinheiro adquirido na companhia teatral, comprou uma casa em
Stratford-upon-Avon e muitas outras propriedades, tais como
hectares de terras férteis e uma casa em Londres. Escreveu a
maioria de suas peças entre 1590 e 1611. Por volta de 1611,
ele aposentou-se em Stratford-upon-Avon, onde havia estabelecido
sua família.
Shakespeare morreu em 23 de abril
de 1616, no mesmo mês e dia tradicionalmente
atribuídos como sendo de seu nascimento.
Algumas obras:
Comédias
A Comédia dos Erros
Os Dois Cavalheiros de Verona
Sonho de Uma Noite de Verão
O Mercador de Veneza
Muito Barulho Por Nada
Como Quiserdes
A Megera Domada
A Décima Segunda Noite.
Peças Históricas
Ricardo II
Henrique IV - Partes I e II
Henrique V
Henrique VI - Partes I, II e III
Ricardo III
Rei João
Henrique VIII.
Tragédias
Romeu e Julieta
A Tempestade
Júlio César
Antônio e Cleópatra
Hamlet
Othello
Rei Lear
Macbeth.
As citações acima foram extraídas do livro
"Shakespeare de A a Z: livro de citações", L&PM
Editores - Porto Alegre (RS), 2004, seleção de
Sérgio Faraco, tradução de Carlos Alberto
Nunes.


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